Uma Pergunta (1º Capítulo)

 Flechas envenenadas, com corpos de rãs, se debruçam em todas as direções. Pedregulhos grandes e pequenos rolam ladeira abaixo. Enquanto isso, nosso destemido “herói”, Aysú, luta contra todas as adversidades que lhe rodeiam em busca do amaldiçoado livro de Vaieté, livro que lhe dará “poderes” inimagináveis — de maneira literal, já que ninguém conhece as propriedades demoníacas do requerido livro. Portanto, sua busca só é considerada válida — na visão de Aysú — por conta de sua própria capacidade de resistir às maldições, tirando proveito e não desvantagens das relíquias do “mal”.

O livro se encontra escondido em uma das três grandes cavernas de “Berimoah”. A terra de “Berimoah” é conhecida pelos monstros antropomórficos que vivem na região, muitos guerreiros vão e jamais retornam; porém, o nosso destemido mercenário conhece de “juma à tenharim” as terras dos selvagens seres dos olhos e órgãos expostos. A caverna onde se encontra Aysú é a menor entre elas, possuindo 8 camadas subterrâneas de 500 metros — totalizando 4 quilômetros de profundidade.

“De Juma à tenharim” → “De cabo a rabo” / “De um dialeto ao outro”

A caverna de “Aysú” — sim, a chamaremos assim agora — não possui monstros, apenas pequenas armadilhas encontradas no início da caverna. Ele já passou por todas elas: flechas envenenadas, estacas escondidas, feitiços ancestrais, bombas analógicas, entre outras armadilhas da primeira camada. Da segunda para a quinta camada — onde se encontra o livro — não há nenhum tipo de armadilha, apenas passagens íngremes escondidas nas profundezas vazias da caverna. E são nessas profundezas que encontramos o nosso criminoso favorito — Aysú.

Na academia técnica de feitiçaria, o ensinaram a utilizar feitiços de proteção, que impedem as pedras e estalactites de o atingirem. Ele se encontra na quinta camada — onde o livro deveria estar — mas nada do livro; se ele descer mais, jamais retornará, ele não possui tantos poderes assim. Há apenas 3 passagens: uma lateral, uma para a camada superior e outra para a camada inferior. Ele decide não se arriscar — mas não desiste — e adentra a passagem lateral, a escolha mais óbvia entre todas as outras. E lá está ele, após um “lago verde”, o livro amaldiçoado de Vaieté, o mais poderoso livro de Berimoah — e o único.

Uma voz leve e masculina ecoa do livro:
— Quais as suas intenções?

Aysú age com naturalidade, como se já esperasse a pergunta do livro:
— Desejo o seu poder e nada mais!

— Deseja o meu poder? — “o livro” questiona com desdenho e ri — então veio ao lugar errado, volte e jamais retorne. Não lhe trarei poder algum, apenas maldições.

— É isso que todos dizem, veremos se é verdade, agora! — Aysú se apoia nas laterais da grota, e salta o lago opaco, alcançando com suas mãos o livro falante.

As correntes que prendiam o livro se soltam e se deslocam até o braço de Aysú. Esta “corrente”, que possui um olho verde em uma de suas extremidades, como um amuleto — proporcional ao seu braço — se prende ao “nobre” aventureiro, causando espanto e desconforto a Aysú, que, com o livro na mão, é mais uma vez surpreendido com uma luz esverdeada e uma voz que emana do “amuleto”, dizendo:

— Uma pergunta, várias respostas. Se acertar em um dia, levará o prêmio. Se não acertar, ao fim do pôr do Sol, perderá seus bônus.

— O que são os “bônus”?

— Não importa. Eu faço as perguntas, você traz as respostas. Nada mais, nada menos.

— Que olho arrogante. Responda-me, pelo menos uma pergunta. Até quando terei que te trazer respostas?

— Todos os dias, até você morrer.

— Pela eternidade?

— Se você vai morrer, creio que “eternidade” não seja a palavra correta.

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