É como se eu estivesse sentada
Na janela do ônibus da vida
Vendo todos passarem com seus sonhos
Seus filhos, seus planos, seus casamentos
Seus sonhos realizados, seus livros
E eu estou lá
Olhando
Sempre uma expectadora e nunca alguém vivendo
Nunca sendo eu
Ou a minha vez
Só olhando
Observando
Risos, lágrimas
Conquistas, diplomas
Fotos, casamentos
Que culpa eu tinha se vivi diferente?
Se não aprendi outra vida?
Que culpa tenho se segui outro caminho?
Ninguém me apresentou o verdadeiro, o certo ou o único
E a única vez que tropecei nele me tiraram
Me deixaram, me isolaram
E não havia saída além de esperar
Pegar o ônibus e esperar as paisagens passarem até eu ter idade
Então que culpa tenho de a vida ter passado
Enquanto eu olhava
Dos outros viverem
Alguém apresentou pra eles outra vida
Sonhos
Mas eu não os conheci
Quando o ônibus chegou naquela estrada
Já era tarde
Todos já estavam no final do que eu nem sabia que precisava começar
E quando parei, quando olhei
Quando comecei
Já era tarde, já tinha erros
Exemplos
Vozes dizendo que errei, que estou atrasada, que preciso me preocupar mais
E Ele?
Como vou culpar Ele?
Só de pensar nisso dói
Porque Ele é tão gentil
Como eu podia culpar Ele?
Dói esperar
A espera dói
Mas sabe porque?
Porque sempre tem alguém para me culpar.
• By Cristina Costa - Parceria •
Esse poema é um desabafo
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